Desde que o Engº Aurelio Lampredi chegou à Ferrari, logo tentou demonstrar as vantagens dos motores de 4 e 6 cilindros em relação aos tradicionais 12 cilindros: redução do peso, melhor potência a baixos regimes, para além da redução considerável do número de peças em movimento, algo que o Engº Colombo contrapunha, em defesa dos motores de 12 cilindros, pelo aumento da superfície dos pistões, a redução da sua velocidade consequente a um curso mais curto, factores a que Lampredi não atribuía grande importância.
No fim de 1950, Lampredi recebe luz verde, e três meses depois surgem os planos para um motor de 4 cilindros de 1985 cc, o tipo 500, que para além da sua arquitetura apresentava outras importantes inovações.
Nos finais de 1951, o motor 500 F2 efetua a sua primeira aparição, e revela-se logo de início um motor imbatível na época, dando à Ferrari e a Alberto Ascari os títulos de Campeões do Mundo de Fórmula 1 em 1952 e 1953.
Os motores de quatro cilindros começaram a ser utilizados nos automóveis de Sport da Ferrari na Primavera de 1953. No Grande Prémio dell’Autodromo em Monza, por entre os tradicionais Ferrari equipados com motores de 12 cilindros, surgiram dois modelos equipados com motores de 4 cilindros: o 625 TF (também designado por 625S) de carroçaria fechada Vignale (idêntico ao 250MM da época) equipado com o motor 4 cilindros com 2,5 litros, derivado em linha directa do motor 625 de Fórmula 1, pilotado por Mike Hawthorn, e o 735 S de carroçaria aberta, muito original, desenhada ao que se julga pelo próprio Engº Lampredi e construída pela Carrozzeria Autodromo de Modena, estando equipado também com um motor de 4 cilindros, mas neste caso com 3 litros de cilindrada (2.941CC), este pilotado por Ascari.
Antes de surgir o 750 Monza, a Ferrari produziu o 735S e posteriormente o 750S, que embora usasse, o 750 S,  um motor já de três litros de capacidade, dispunha de um chassis do Tipo 501, que era caracterizado por ser construído com tubos de secção redonda e ser equipado com uma caixa de quatro velocidades. O 750S surgiu em 1954 no Grande Prémio Supercortemaggiore disputado no Autódromo de Monza, numa distância total de 1000 Km, prova que tinha nos três litros, o limite máximo regulamentar. Hawthorn partilhou com Maglioli o 750S #0430MD e Froilan Gonzalez juntamente com Trintignant o 750S #0440MD. A 1ª dupla venceu esta corrida.
O 750 Monza usavam châssis do tipo 510/19, que eram constituídos por tubos de secção oval (dobrados)  e estavam equipados com caixas de cinco velocidades, este châssis era idêntico àquele que equipava os 500 Mondial da série II. As dimensões dos châssis do Tipo 501 e 510 eram idênticas.
A estreia do Ferrari 750 Monza deu-se em 1955.

Nº de chassis construídos (1954/1955) : Total de 37, entre o #0428M e #0584M

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Principais características técnicas:


Motor

4 cilindros em linha
2999,62 cc (103x90mm)
Taxa de compressão: 9,2:1
Potência máxima: 250 CV às 6000rpm
Distribuição: Duas válvulas por cilindro (duas árvores de cames à cabeça)

Transmissão

5 velocidades+ marcha atrás
Diferencial: Autoblocante ZF

Châssis

Tipo 510
Monobloco com tubos de aço de secção elíptica.
Suspensão frontal: Rodas independentes, quadriláteros deformáveis e molas helicoidais
Suspensão traseira: Ponte de Dion e mola balestra transversal
Travões de Tambor com comando hidráulico
Depósito de combustível: 145 litros
Distância entre eixos: 2,25m
Peso: 760Kg

Velocidade máxima: 260Km/h

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#0524M


Casimiro de Oliveira iniciou a carreira desportiva deste Monza no Grande Prémio de Dakar no Senegal, a 12 de Março de 1955, mas por razões nunca devidamente esclarecidas, sofreu um acidente durante os treinos, que destruiu o #0524M. Depois de uma recuperação profunda que teve lugar na Ferrari, participou no V Grande Prémio de Portugal, a 25 de Junho, no Circuito da Boavista.  Depois de uma boa performance nos treinos, onde conquistou o 2º lugar na grelha de partida, Casimiro de Oliveira sofreu novo acidente, que destruiu por completo o #0524M e motivou o fim da carreira desportiva do piloto do Porto.



1955


Grande Prémio de Dakar
12 e 13 de Março
Casimiro de Oliveira (nº25)
Acidente durante os treinos, não participou na corrida
(Foto: Autor desconhecido)


VI Circuito Internacional do Porto
V Grande Prémio de Portugal

25 e 26 de Junho
Casimiro de Oliveira (nº10)
2º Treinos: 2º
Corrida: Não terminou
(Foto: Jornal O Volante/Colecção Manuel Taboada)


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#0576M



Vasco Sameiro estreou este automóvel no V Grande Prémio de Portugal disputado no Circuito da Boavista. Um acidente durante os treinos, fez com que não participasse na corrida. De referir que o motor e caixa de velocidades deste 750 Monza acidentado, foram adquiridos por McKay Frazer, que depois dos problemas sentidos no seu 735S #0444MD (utilizado por Vasco Sameiro em 1954) aquando do V Grande Prémio de Portugal, substituiu estes componentes pelos do #0576M, e dessa forma alinhou no III Circuito Internacional de Lisboa disputado no Circuito de Monsanto.


1955


VI Circuito Internacional do Porto
V Grande Prémio de Portugal
25 e 26 de Junho
Vasco Sameiro (nº11)
Acidente durante os treinos/Não participou na corrida
(Fotos: Jornal O Volante/Colecção Manuel Taboada e MiniSquadra)


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#0572M


José Arroyo Nogueira Pinto trocou o seu 250 MM #0332MM por um 750 Monza para a temporada de 1955. Este 750 Monza Spyder Scaglietti foi comprado novo á Ferrari, tendo o Circuito de Tânger de 1955 sido a sua primeira corrida e vitória. Foi utilizado ao longo de 1955 e 1956, altura em que foi vendido ao piloto espanhol António Creus que prosseguiu com este automóvel a sua carreira desportiva, que incluiu em 1957 a participação no VI Grande Prémio disputado no Circuito de Monsanto.


1955


Circuito Internacional de Tânger
29 de Maio 
José Arroyo Nogueira Pinto (nº1)
Corrida: 1º
(Fotos: Coleção António Borges Sampayo e Manuel Taboada)

VI Circuito Internacional do Porto
V Grande Prémio de Portugal
25 e 26 de Junho
José Arroyo Nogueira Pinto (nº12 )
Treinos: 7º
Corrida: Não terminou
(Foto: Arquivo ACP)

III Circuito Internacional de Lisboa
Grande Prémio de Lisboa
23 e 24 de Julho
José Arroyo Nogueira Pinto (nº18)
Desistiu na Corrida

V Circuito de Vila do Conde
10 e 11 de Setembro
José Arroyo Nogueira Pinto (Nº18)
1º Corrida



1956


III Grande Prémio Nacional de Espanha
Circuito de Barajas
22 de Abril
José Arroyo Nogueira Pinto (nº83)
Corrida: 3º
(Na foto, ao fundo)
(Foto gentilmente cedida por Pedro Branco)

VII Circuito Internacional do Porto
II Grande Prémio do Porto
16 e 17 de Junho
José Arroyo Nogueira Pinto (nº8)
Treinos: 5º
Corrida: 10º


1957


IV Circuito Internacional de Lisboa
VI Grande Prémio de Portugal
8 e 9 de Junho
António Creus (nº20)
Treinos: 10º
Corrida: Não terminou
(Foto: M. Rodero, Coleção Juan Albert)
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#0554M


Um 750 Monza usado por Masten Gregory em competições nos Estados Unidas da América (SCCA), e em algumas na Europa. Estava originalmente pintado de vermelho. Foi o 23º dos 750 Monza construídos, e foi  vendido novo a Maten Gregory, substituindo o 375MM #0370AM, com que, recorde-se, o piloto americano tinha terminado em 3º lugar o IV Grande Prémio de Portugal disputado em 1954 no Circuito de Monsanto. A 1ª corrida disputada por Gregory com o #0554M foi o Grande Prémio de Bari, a 15 de Maio de 1955, terminando esta corrida no 3º lugar, logo atrás dos Maserati oficiais de  Jean Behra e Luigi Musso. Na prova seguinte, o Grande Prémio Internacional ADAC em Nurburgring, este Monza surgiu com duas listas brancas colocadas sobre a mesma cor base vermelha. No V Grande Prémio de Portugal disputado no Circuito da Boavista no Porto, o #0554M surgiu com cor branca e duas formas de gota pintadas de azuil,  colocadas no capot frontal e traseiro. Na corrida seguinte, o  Grande Prémio de Lisboa no Circuito de Monsanto, Gragory conseguiu alcançar a vitória, a primeira conquistada no continente Europeu. Posteriormente, este 750 Monza voltou para os Estados Unidos da América onde manteve uma atividade desportiva até finais dos anos cinquenta.
Quer na corrida disputada no Porto quer na de Monsanto, Masten Gregory surge nas folhas de inscrição como tenho alinhado com o 750 Monza #0562M, o Monza que pertencia a Eugenio Castellotti e no qual Alberto Ascari perdeu a vida em testes no Autódromo de Monza. Como este Monza ficou destruído neste acidente, Gregory alinhou com o #0554M que lhe pertencia, desta forma e para cumprir com o numero de chassis originalmente inscrito, o #0554M foi pontualmente renomeado (na corrida do Porto e também na de Monsanto) como #0562M.


1955

VI Circuito Internacional do Porto
V Grande Prémio de Portugal
25 e 26 de Junho
Masten Gregory (Nº18)
Treinos: 2º
Corrida: 2º
(Foto: Arquivo ACP)

III Circuito Internacional de Lisboa
Grande Prémio de Lisboa
23 e 24 de Julho
Masten Gregory (Nº11)
Corrida: 1º (55 Voltas / 2.14.35,310)
(Foto: Revista ACP/Coleção Manuel Taboada)

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#0486M



Um 750 Monza usado inicialmente pela Scuderia Ferrari, tendo participado nas Mil Milhas de 1955, prova que terminou no 6º lugar da geral, pilotado por Sergio Sighinolfi. Posteriormente vendido ao suiço Jacques Jonneret, que o utilizou em diversas provas de rampa, para além de o ter pilotado no Grande Prémio de Lisboa de 1955. Vendido a Peter Monteverdi, este 750 Monza manteve uma atividade desportiva centrada em provas de rampa em solo suiço. Posteriormente sofreu grandes alterações estilísticas, tendo sido dotado de uma carroçaria fechada e portas em "asa de borboleta", numa altura em que pertencia a Hopf, tendo estas alterações sido projetadas pelo próprio Monteverdi e executadas por Sauter, transformando-se no "750 GT Berlinetta".
Atualmente ostenta de novo uma carroçaria com a configuração Spyder original.


1955


III Circuito Internacional de Lisboa
Grande Prémio de Lisboa
23 e 24 de Julho
Jacques Jonneret (nº14)
Corrida: Não terminou
(Foto: Coleção António Borges Sampayo)

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#0520M



Um 750 Monza adquirido por Louis Rosier em Fevereiro de 1955. A carreira desportiva deste #0520M inicia-se com um 2º lugar à geral e 1º na classe no Grande Prémio de Dakar, a 13 de Março. A 8 de Maio em Forez, e a 30 de Maio no Grande Prémio da Algéria, Rosier consegue duas vitórias. No V Grande Prémio de Portugal, disputado no Circuito da Boavista, Rosier conseguiu um 6º lugar final, resultado que repetiu a 27 de Agosto em Oulton Park. No Grande Prémio de Agadir, a 26 de Fevereiro de 1956, um problema na transmissão do #0520M impediu Rosier de concluir a corrida. A sorte foi madrasta para o piloto francês na corrida disputada a 7 de Outubro em Montlhery, durante as "Coupe du Salon de L'Auto", pois um acidente provocou a morte do piloto, que contava nessa altura com 51 anos de idade.


1955

VI Circuito Internacional do Porto
V Grande Prémio de Portugal
Louis Rosier (nº16)
Treinos: 12º
Corrida: 6º

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#0500M



Piero Carini, adquiriu este Monza em Fevereiro de 1955, tendo participado no "Critérium Nationale de Vitesse d' Agadir", a 27 de Fevereiro, desistindo na corrida. A 30 de Abril participou nas Mil Milhas, onde foi igualmente obrigado a abandonar. A 8 de Maio venceu a Copa da Lombardia, e a 26 de Junho participou no Grande Prémio de Portugal no Circuito da Boavista. A 31 de Julho, terminou em 2º lugar a Volta á Calabria.
Recorde-se que Piero Carini encontrou a morte, a 30 de Maio de 1957, num acidente ocorrido nas 6 Horas de Forez, onde chocou com o seu 500 TRC #0648MDTR com o modelo idêntico (#0694MDTR) de António Borges Barreto, que provocou igualmente a morte do piloto português.


1955


VI Circuito Internacional do Porto
V Grande Prémio de Portugal
25 e 26  de Junho
Piero Carini (nº19)
Treinos: 10º
Corrida: Não terminou

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#0552M



Este 750 Monza de cor amarela pertenceu inicialmente a Jacques Swaters, que sob a bandeira da Ecurie Nationale Belge participou numa série de provas, pilotado pelo próprio Swaters, por Johnny Claes e por Paul Frére.. De entre estas surge o V Grande Prémio de Portugal, onde Swaters esteve inscrito, mas não chegou a comparecer, tal como Johnny Claes que deveria ter corrido com o 750 Monza #0518M.
Em Setembro de 1955, e devido a um acidente sofrido por Paul Frére no Grande Prémio da Suécia desse ano (7 de Agosto), este Monza foi recuperado, tendo entre outros particulares, recebido uma grelha frontal de forma mais oval. Já em 1956, Harry Shell adquiriu este Ferrari, tendo a partir nesta altura sido pintado de azul com o capot do motor em branco.
A 1ª prova disputada por Shell com este Monza foi o Grande Prémio de Agadir de 1956, onde se classificou em 2º lugar na corrida, resultado que repetiu no Grande Prémio de Dakar e nos 1000 Km de Monthlery, onde fez equipa com Jean Lucas.
Em 1957, o #0552M foi comprado por Luigi Chinetti, que ainda durante esse ano o vendeu a Edward Gelder, que o utilizou, a partir dai, em competições exclusivamente nos Estados Unidos da América.


1955



VI Circuito Internacional do Porto
V Grande Prémio de Portugal
25 e 26  de Junho
Jacques Swaters (nº21)
Não compareceu


1956


VII Circuito Internacional do Porto
II Grande Prémio do Porto
16 e 17 de Junho
Harry Shell (nº11)
Treinos: 1º
Corrida: Não terminou

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#0548M



Um 750 Monza adquirido diretamente á fábrica pelo piloto suiço Willy-Peter Daetwyler em 1955, tendo efetuado com ele as competições possíveis nesta época em solo suiço, isto é, provas de rampa, para além de vários circuitos. De referir que as três primeiras provas feitas por Daetwyler ao volante deste 750 Monza resultaram em outras tantas vitórias, entre as quais, a 7 de Maio de 1955, o Grande Prémio de Montjuich em Barcelona. O III Circuito Internacional de Lisboa/Grande Prémio de Lisboa, foi a sétima prova feita por Daetwyler no #0548M, tendo obtido um quarto lugar à geral, o que se deve considerar um resultado assinalável, tendo em conta a quantidade e qualidade dos participantes. Daetwyler continuou a usar este Monza até finais de 1957, normalmente com grande sucesso.

1955


III Circuito Internacional de Lisboa
Grande Prémio de Lisboa
23 e 24 de Julho
Willy - Peter Daetwyler (nº12)
4º Corrida
(Foto: Col. Manuel Taboada)

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#0526M



Comprado em 1955 pelo piloto francês Jean Estager, que com ele efectuou somente duas provas, a 8 de Maio de 1955, a "Coupe des Voitures de Serie, Tourisme et Sport" em SPA e a 25 de Junho, o VI Circuito Internacional do Porto e V Grande Prémio de Portugal no Circuito da Boavista. Em ambas as provas abandonou, o que terá feito com que vendesse logo após a prova portuguesa ao sueco Tore Bjurstrom, o representante da Ferrari naquele país nórdico, que o vendeu de imediato ao piloto sueco, Gunnar Carlsson, que o utilizou com bastante sucesso em competições em solo sueco até ao final de 1962.



1955

VI Circuito Internacional do Porto
V Grande Prémio de Portugal
25 e 26  de Junho
Jean Estager (nº17)
Treinos: 16º
Corrida: Não terminou (avaria mecânica)

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#0518M



Um 750 Monza adquirido em 1955 por Jacques Swaters através da Écurie Nationale Belge. Foi utilizado ao longo de 1955 e 1956, pelos habituais pilotos da equipa.
Tinha cor amarela e com o "nariz" pintado a negro. Tal como o #0552M, o outro 750 Monza da equipa belga, este #0518M também não chegou a comparecer no Circuito da Boavista para a participação no VI Circuito Internacional do Porto e V Grande Prémio de Portugal. Em 1956, este Monza recebeu uma nova carroçaria, inspirada no 500 TR e realizada por Scaglietti, sendo nesta configuração que correu em 1956 o VII Circuito Internacional do Porto e II Grande Prémio do Porto. Em 1957 o #0518M foi vendido ao americano John Kilborn, que o utilizou em competições nos Estados Unidos da América, até finais de 1959, nesta altura utilizado pelo seu novo proprietário (desde 1958), Dean Knight.


1955



VI Circuito Internacional do Porto
V Grande Prémio de Portugal
25 e 26  de Junho
John Claes (nº20)
Não compareceu


1956



VII Circuito Internacional do Porto
II Grande Prémio do Porto
16 e 17 de Junho
André Pilette (nº12)
Treinos: 11º
Corrida: 6º

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#0550M



1957



IV Circuito Internacional de Lisboa
VI Grande Prémio de Portugal
8 e 9 de Junho
Phil Hill (nº18)
Treinos: 3º
Corrida: Não terminou (problemas de motor)
(Foto: Coleção Manuel Taboada)